quarta-feira, 30 de maio de 2007



FUMANTE? (INFELIZMENTE) SIM.

Não me lembro como comecei a fumar... Mas, com certeza, foi por exibicionismo.
Menino novo ainda, talvez 13 ou 14 anos, via nos colegas de escola e quem sabe, no exemplo dos adultos, a pose, a faceirice e o “status” do fumante.
Na grande telinha do cinema (Não havia TV, ainda), artistas desfilavam seu charme entre baforadas e alguns deixavam círculos mágicos no espaço formados pela brancura da venenosa nuvem de fumaça. As cenas eram deslumbrantes e enfeitiçavam a mente em formação, recebendo os dados do erro como qualidade de vida e atestado de sucesso.
Acho que foi assim que me tornei um fumante.

Às escondidas, permaneci muito tempo curtindo o vício; Nos intervalos das aulas, nos passeios e nos descuidos eventualmente ocorridos em casa. Mas, não demorou muito e todos ficaram sabendo. Um dia, tendo que fazer uma grande viagem de trem em companhia do meu Pai, numa dessas paradas rápidas em estações intermediárias, tomamos um cafezinho e meu Pai, também fumante na época, acendeu um cigarro e, acho que de propósito, lançou a fumaça em minha direção. A vontade de fumar era demais naquela momento e Ele sabia disto melhor do que eu. Fiquei então surpreso com sua atitude: estendeu-me um cigarro e me mandou fumar no banheiro do vagão. Quando voltei, recebi do mesmo um sermão que demorou quase que o resto da viagem. Tudo sobre a proibição do fumo e do seu porquê. Mas, apesar dos conselhos do meu Pai, continuei fumando e provando diversas marcas e “sabores” diferentes do velho tabaco.

As campanhas contra o fumo tomaram corpo a partir dos relatórios médicos sobre as diversas doenças oriundas ou agravadas pela ação da nicotina no organismo. E não podemos ignorar que as doenças respiratórias, principalmente essas, têm conseqüências dolorosas para os que insistem em continuar fumando. E vem em doses alarmantes, os diversos tipos de câncer tão propagados na mídia de hoje. A ´título de infortmação: “ Se
gundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco continua sendo um grande vilão na vida das pessoas. Quem fuma pode ter 10 vezes mais chances de desenvolver um câncer do que os não-fumantes. O tabagismo é uma doença crônica gerada pela dependência da nicotina. Fazem parte da perigosa lista de danos provocados pela droga os cânceres de boca, laringe, faringe, esôfago, pulmão, estômago, bexiga, pâncreas, fígado, colo uterino, cólon e reto. O cigarro possui mais de 4.700 substâncias químicas em sua composição, que, em contato repetido com os tecidos do corpo humano, causam agressões às células.”

Como reforço, por lei, o Governo, vítima dos gastos absurdos com doenças oriundas do fumo, fez estampar em suas embalagens pelos fabricantes de cigarros, imagens chocantes sobre os efeitos da nicotina. Parece-me que, mesmo assim, os resultados não atingiram o percentual desejado. Todos os anos, as empresas sofrem sanções jurídicas com pagamentos de pequenas fortunas pelos danos causados pelo cigarro. Assim mesmo, crescem de forma até surpreendente e a cada ano, mais e mais novos adeptos do tabagismo somam-se aos milhares já existentes.

Para os fumantes crônicos como eu, a medicação especializada (BUP-comprimidos e outros) pouco tem atendido seu objetivo. Acho mesmo, acho não: tenho certeza de que, se não for adicionada à medicação uma superdose de boa vontade, de nada mesmo adiantará se medicar. É uma questão de querer. Ou se quer parar de fumar, com todas as vontades, ou não se para nunca! Isto é que é o certo. E nenhum programa antitabagismo funcionará sem esta determinação.

Morrem todos os dias vítimas da nicotina. Somos testemunhas.
Por isto, digo com certo desânimo por não ter aquela grande força de vontade: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Cigarro? Apague essa idéia.